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Uso da Pele de Tilápias em Tratamentos de Queimadura

De acordo com o Ministério da Saúde, no Brasil, cerca de 1 milhão de pessoas sofrem queimaduras por ano. Os principais acidentes são os “escaldamentos” e entre as vítimas mais comuns, estão as pessoas de baixas rendas. Apesar do grande número de casos, em todo o país existem apenas 46 centros especializados no assunto. Além disso, os bancos de pele são extremamente escassos, não atendendo à grande demanda. 

Pensando nisso, uma nova tecnologia que promete ser melhor e mais barata do que os tratamentos atuais, está sendo desenvolvida no estado do Ceará: pele de tilápia. No SUS (Sistema Único de Saúde) o tratamento de queimaduras é feito com pomadas e curativos, que são trocados à cada dois dias, dependendo da gravidade da queimadura. A quantidade de materiais utilizados e a frequência das trocas de curativos tornam este método relativamente caro, e também trazem desconforto e dor ao paciente, gerando a necessidade de receitar analgésicos.

Em outros países, como Argentina, Chile e Uruguai, o tratamento é feito com pele humana ou animal.  O idealizador do projeto é o cirurgião plástico Marcelo Borges, responsável por coordenar o setor de queimaduras e feridas do Hospital São Marcos, localizado no Recife.

De acordo com ele, é que em uma queimadura superficial ou até mesmo de segundo grau, o curativo com pele de tilápia é mantido até o final da cicatrização, ou seja, pode permanecer por cerca de dez dias sem haver a necessidade da troca. As tilápias são retiradas de açudes e as peles lavadas no próprio local da retirada.

Em seguida, são colocadas em caixas isotérmicas e levadas ao banco de pele. Depois de passarem pela esterilização inicial, são encaminhadas para a radioesterilização, um processo que elimina possíveis vírus e garante a segurança do produto. Quando retornam ao banco de pele são refrigeradas e podem ser armazenadas por até dois anos. 

A pele da tilápia quando colocada em contato com a pele se adere, cobrindo a ferida. Também evita a contaminação com o meio externo e que o paciente perca proteínas e líquidos, o que causa desidratação e prejudica o processo de cicatrização. Os estudos em laboratório revelaram que a tilápia contém uma alta quantidade de colágeno tipo 1, o que acelera este processo de cicatrização. Além disso, a pele tem um elevado grau de umidade e uma alta resistência à quebra, ou seja, fatores ótimos para um curativo. Também possuem menor risco de transmissão de doenças do que os animais terrestres, como os porcos que são usados em outros países. 

Antes do estudo, apenas 1% da pele da tilápia era reaproveitada, em forma de artesanato (confecção de bolsas e sapatos). Agora, uma nova oportunidade de uso vem surgindo. De acordo com os médicos responsáveis, o resultado tem se mostrado bastante positivo e até o momento não foram observadas contra indicações.

Fonte: Veja