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Produção de camarão no Brasil em 2025: setor consolida recuperação e projeta ciclo de crescimento

A carcinicultura brasileira encerrou 2025 em um momento de forte expansão. Após um período de retração entre os anos de 2003 e 2016, o setor retomou sua trajetória de crescimento, alcançando novos recordes de produção, ampliando sua participação no mercado interno e fortalecendo sua importância econômica para o país.

Os dados apresentados a seguir foram compilados com base no artigo “Overview of Brazilian Shrimp Farming: Challenges and Outlook for 2026”, publicado por Itamar de Paiva Rocha, na Revista Feed & Food, edição nº 225 (janeiro de 2026). O conteúdo completo pode ser consultado em: Revista Feed & Food – Edição 225.


A produção brasileira atingiu 230 mil toneladas

Segundo a publicação, o Brasil produziu aproximadamente 230 mil toneladas de camarão cultivado em 2025, representando um crescimento de aproximadamente 28% em relação a 2024.

Além do aumento da produção, o setor movimentou cerca de:

  • R$ 7 bilhões em receita na cadeia produtiva;
  • 161 mil empregos diretos e indiretos;
  • aproximadamente 43 mil hectares destinados à produção.

Esses números demonstram que a carcinicultura deixou de ser apenas uma atividade regional para ocupar posição estratégica dentro da aquicultura brasileira.


O mercado interno continua sendo o principal destino

Um dos pontos destacados pelo estudo é que o crescimento não foi impulsionado apenas pelas exportações.

Atualmente, aproximadamente:

  • 70% da produção é comercializada fresca no mercado nacional;
  • 30% é destinada ao mercado de camarão congelado.

A recuperação do consumo interno foi favorecida por diversos fatores, entre eles:

  • maior presença do camarão em supermercados;
  • aumento da oferta de produtos processados;
  • expansão do consumo em restaurantes;
  • melhoria da logística de distribuição;
  • maior vida útil dos produtos processados.

Esse cenário tornou o camarão mais acessível para consumidores em diversas regiões do Brasil.


Ceará lidera a produção nacional

A produção permanece fortemente concentrada na região Nordeste.

Os principais estados produtores são:

  1. Ceará
  2. Rio Grande do Norte
  3. Paraíba

Somente o Ceará responde por cerca de 121 mil toneladas, sendo também o estado com o maior número de produtores do país.

O estudo estima aproximadamente:

  • 4.500 produtores ativos, sendo:
    • 3.150 microprodutores (70%);
    • 675 pequenos produtores (15%);
    • 450 médios produtores (10%);
    • 225 grandes produtores (5%).

Esse perfil evidencia que a carcinicultura brasileira é composta majoritariamente por pequenos empreendedores, o que reforça seu papel na geração de renda regional.


O Brasil possui elevado potencial de crescimento

Apesar do avanço registrado, os autores destacam que o Brasil ainda produz muito abaixo do seu potencial.

Entre os principais fatores favoráveis estão:

  • disponibilidade de grandes áreas com clima adequado;
  • extensa faixa litorânea;
  • abundância de água em diversas regiões;
  • possibilidade de produção em áreas interiores utilizando água de baixa salinidade.

Essas condições tornam o país competitivo para ampliar significativamente sua produção nos próximos anos.


Exportações voltam a crescer

Outro destaque de 2025 foi a retomada das exportações brasileiras.

Após anos de retração, o setor voltou a registrar crescimento das vendas externas, impulsionado principalmente pela recuperação da competitividade e pela expansão da produção.

Segundo o artigo, existe expectativa de continuidade desse movimento caso o Brasil consiga superar alguns desafios regulatórios e ampliar sua presença nos mercados internacionais.


Os desafios permanecem

Apesar do cenário positivo, a carcinicultura ainda enfrenta obstáculos importantes.

Entre eles estão:

  • necessidade de maior competitividade internacional;
  • custos de produção;
  • barreiras sanitárias impostas por alguns mercados;
  • questões regulatórias;
  • concorrência de grandes produtores mundiais, como Equador, Índia e Vietnã.

O artigo também menciona a importância de combater informações incorretas sobre a atividade e fortalecer a divulgação de práticas sustentáveis adotadas pelos produtores brasileiros.


Perspectivas para 2026

As projeções apresentadas na publicação indicam continuidade da expansão.

O gráfico publicado pela Feed & Food projeta que a produção nacional poderá atingir aproximadamente 250 mil toneladas em 2026, mantendo a tendência de crescimento observada nos últimos anos.

No curto prazo, entretanto, os autores alertam que o mercado internacional poderá apresentar maior volatilidade nos preços, exigindo atenção dos produtores e da indústria.


O que esse cenário representa para a tecnologia na carcinicultura?

Com o aumento da produção, cresce também a necessidade de investimentos em tecnologias capazes de elevar a eficiência operacional das fazendas de cultivo.

Equipamentos que contribuem para a melhoria da qualidade da água, especialmente aqueles voltados à oxigenação e circulação como aeradores chafariz ou de pás, tornam-se cada vez mais importantes para manter altas densidades de cultivo, reduzir riscos produtivos e favorecer o desempenho zootécnico dos camarões.

Nesse contexto, soluções tecnológicas voltadas ao manejo da água tendem a desempenhar papel estratégico na sustentabilidade e na competitividade da carcinicultura brasileira.


Referência

ROCHA, Itamar de Paiva. Overview of Brazilian Shrimp Farming: Challenges and Outlook for 2026. Feed & Food Magazine, edição nº 225, janeiro de 2026, p. 70–73.

Disponível em: https://feedfood.com.br/rev/225/#page=73

Acesso em: 30 de junho de 2026.