A despesca é o momento da retirada dos peixes do viveiro e ocorre quando eles atingem o tamanho comercial adequado. São várias as alternativas empregadas durante o processo de despesca e cada uma delas se adequada ao mercado que se destina, variando de acordo com o tipo do pescado e se ele será comercializado vivo ou abatido. As despescas podem ser feitas de forma manual, mista ou mecanizada.
Mesmo em viveiros escavados, represas ou tanques elevados, os engenheiros aquícolas recomendam que o intervalo entre as despescas sejam de pelo menos 15 dias, quando o objetivo é apenas retirar parte dos peixes. Além disso, o ideal é que a despesca seja realizada em horários de menor temperatura da água, geralmente durante as primeiras horas da manhã. Desta forma, os peixes terão maior conforto térmico, o que diminui o seu estresse durante o processo.
Na aquicultura, os procedimentos de despesca podem ser muito traumáticos para os peixes. Por este motivo, a atenção no processo de despesca é de extrema importância para o produtor que busca obter maior qualidade no pescado produzido e não sofrer perdas significativas durante o abate e transporte. O trabalho de despesca deve ser cuidadosamente realizado, com redes e equipamentos especiais para evitar o traumatismo dos peixes e impedir sua fuga durante a operação de captura.
Nos viveiros, os peixes abatidos logo após a despesca podem apresentar estado de estresse pré-abate e sua relação com a qualidade da carne é influenciada. Segundo a bióloga Eliane Tie Oba, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), a resposta dos peixes ao estresse apresenta três níveis: as respostas primárias, que são causadas pela ativação dos centros cerebrais e resultam na liberação de catecolaminas e de corticosteroides; as respostas secundárias, que incluem aumentos do débito cardíaco; e as respostas terciárias, que apresentam efeitos como a inibição do crescimento e da reprodução.
No Brasil, as despescas manuais estão sendo substituídas por tecnologias que reduzem os custos de produção, principalmente em produções profissionais de larga escala, onde transporte de peixes pode ser feito com o uso de uma Esteira rolante para despesca. Este equipamento além de ter o intuito de diminuir mão de obra do piscicultor, proporciona maior agilidade e facilidade durante o processo de despesca dos peixes, armazenando-os em caixas adequadas. Este modelo de equipamento pode ser adaptado para o cultivo de diversos tipos de peixes. Os produtores brasileiros que optaram pela utilização da Esteira para despesca, notaram significativa redução no custo do processo e aumento da lucratividade da sua produção. Além disso, a utilização da Esteira na despesca se faz necessária para conseguir manter a oferta com alta qualidade, atendendo a um mercado cada vez mais exigente.
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